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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CABEÇA DE BURRO EM TEÓFILO OTONI

Minha família já conhece quando estou sentindo saudade da minha terra natal que é Teófilo Otoni. Tenho a nítida impressão que quanto mais velho ou idoso o sujeito, ele sente falta das raízes. Não é a toa que muitos falam que velho é igual a criança, ou seja, gosta de carinho, ser reconhecido e até mesmo paparicado pelos familiares. Tem idoso que quando começa sentir muita saudade de tudo, alguém logo pensa que ele está entrando no pensamento da sepultura. É bem provável que tenha algum fundamento. Lembro que meu saudoso amigo Adão, um excelente pedreiro, morreu pouco tempo depois da passagem de sua amada Hildinha para outra esfera. Os dois viviam como dois passarinhos, ou seja, dando comidinha no bico do outro.
Espero, se Deus permitir, não partir para outra esfera agora. Pretendo ainda assistir a chegada do homem á Marte, a descoberta das vacinas contra a Dengue e o Mal de Chagas, o Brasil menos borrado de corruptos, o fim da impunidade com cumprimento das leis, menos droga e mais educação para todos. Oremos!!!
Mas, vamos deixar de lero lero com este meu blá blá blá, para falar do que comecei no texto que é a saudade de Teófilo Otoni. A saudade da nossa terra natal fica muito forte quando estamos residindo em outras cidades. Penso que com todas as pessoas acontece este sentimento. Tenho um amigo que diz sentir, ao chegar na rodoviária de Belo Horizonte, uma alegria de doido quando avista o guichê de vendas de passagens para Teófilo Otoni. Segundo ele, sua boca chega a espumar quando solicita: " Uma passage prá Tiofotoni". Pois é, alegria de doido e boca espumando não é para qualquer um que nem sente uma longa viagem de quase 600 Quiilômetros. Alguns, dizem, vão até cantando aquela antiga música do Timóteo: "Quando á minha terra eu voltar..." e por ai vai.
Então, quando fico tenso, meus filhos e minha mulher, acompanhados dos dois cachorros que fazem a maior festa, me pegam pelo braço e me deixam embaixo do meu pé de pitanga. Segundo eles, " para refrescar a cuca do velho". Tenho ali um pequeno banco, uma placa com os dizeres: "Benvindo a todos do mundo cão" e no topo da pitangueira tem um catavento que inventei para espantar os ratos de asas ou pombos como queiram. Ô bicho ou ave que deu trabalho e encheu meu saco. Cruz credo, cruz credo!!!
Assim, quando estou ali sentado com as pernas esparrachadas ao Deus dará como Zé Dirceu na Papuda, somente meus dois cachorros se aproximam. Observo, através de um rabo de olho que, por entre as gretas das janelas, minha mulher e meus filhos estão de olho em mim. Finjo não vê-los e "converso" com meus cachorros que entre um afago e outro, abanam os cabos como "dizendo" entender o que falo e penso sobre saudade da minha terra natal.
Meu vizinho, popularmente conhecido por Pintinho, mete a cabeça sobre o muro e diz: "Conversando sozinho, seo Téo?". Nem respondo. Finjo estar dormindo. Já basta minha mulher sussurrando nos ouvidos dos meus filhos: " Gente que conversa com cachorro não bate bem da bola". Por certo, a placa alusiva do mundo cão, ainda não foi e nem será entendida pela minha mulher e meu vizinho Pintinho do bico afiado.
Entre um cochilo e outro, vou lembrando do Buraco doce, do Beco do coelho, do Morro do pau velho, do Morro do feijão bebido, do Subaco fedendo, do Cataquiabo, do Morro do quenta sol, da carne de sol, do Beiju, da pinga da roça, do doce tipo tijolo da banca do Nestor, Programa de rádio do Élbio Pechir, requeijão, "Pela de porco", bucho de boi, biscoito de goma, Xorisso, Macacheira, bate papo na Praça Tiradentes, cabeça de burro enterrada na praça, Jornalzinho da AFATO na banca do Gaitan e bem na hora em que eu estava tomando uma Mate Cola e saboreando um Fofacú, minha mulher grita da janela: " Ô meu preto, tá hora de você tomar seu Rivotril. Vê se pode, acordou-me na hora mais tranquila. Ô mundo cão!!!

Autor: Walter Teófilo Rocha Garrocho( Téo Garrocho)- Texto dedicado à minha bondosa irmã Márcia Verônica Garrocho de Andrade, um anjo de luz nas nossas vidas. Texto escrito em Barbacena, aos 10/02/2014.

2 comentários:

Edenise Santos disse...

CABEÇA DE BURRO ENTERRADA ,CRESCI E AINDA HOJE OUÇO ESSE MESMO COMENTÁRIO,ERA ASSIM QUE MEU SAUDOSO PAI DIZIA SEMPRE QUANDO VIA QUE NADA NA NOSSA CIDADE IA PRA FRENTE.MAS APRENDEMOS AMAR TUDO ISSO, E VAMOS VIVENDO E LEVANDO A VIDA NA NOSSA TEÓFILO OTONI!

Téo Garrocho disse...

Amiga Edenise, agradeço por ter acessado meu BLOG e meus simples escritos. Assim como você, cresci escutando que nossa querida terra natal "tinha cabeça de burro enterrada na praça". Sonho e espero que nossa querida terra consiga sempre ser "um lugar feliz para se viver". Um abraço para você e todos da sua família.

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